Por que estudar modelagem poligonal?

Por que estudar modelagem poligonal?

Com a quantidade de informações disponíveis na internet, conseguimos pesquisar e aprender muito rapidamente sobre todo tipo de assunto. Mas nem todo mundo dá a devida importância de não pular as etapas em um processo de aprendizado.

E para quem está aprendendo 3D, uma etapa que algumas vezes é pulada é o aprendizado de modelagem poligonal, pois muitas pessoas não aprendem sobre isso antes de se dedicar à escultura digital.

Resumidamente, a modelagem poligonal trabalha com a malha através dos polígonos, edges e vértices, e a escultura digital trabalha com a malha, que adiciona e tira volumes, como se fosse uma escultura em argila.

A importância da modelagem poligonal é que esse recurso torna o modelo funcional para animações 3D.

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 Em alguns casos, a pessoa que começa já diretamente na escultura digital não se preocupa em deixar esse modelo funcional, ou seja, não é utilizado o conceito de loops e cortes. Esse método é aprendido na modelagem poligonal, usado para transformar a escultura digital num modelo funcional e, assim, deixa-lo pronto para ser utilizado em uma animação.

 Principais softwares

Os principais softwares de modelagem poligonal do mercado são: 3ds Max, Maya, SoftImage, Cinema 4D e MODO.

Para se chegar a resultados de alto nível, as grandes produtoras estão buscando cargos específicos de modelador, com a preocupação de dar sequência ao processo de produção, desde o começo do trabalho até a finalização. Sem a modelagem poligonal as outras áreas não conseguem dar continuidade ao projeto. 

Antigamente não existia o processo de escultura digital e os artistas trabalhavam só com a modelagem poligonal, deixando o processo mais demorado. O processo da escultura digital chegou para "ajudar" e não substituir o processo de modelagem poligonal, principalmente para otimizar áreas em que a modelagem poligonal é muito complicada, como no detalhamento de personagens. b2ap3_thumbnail_Fone_CUBO_N-PIX_20130913-193228_1.jpg

 Na prática, o modelo precisa ter os cortes no lugar certo, por exemplo no caso de um personagem cartoon, para que ele mova o braço para cima, o modelo tem que ter certos cortes no ombro. Assim, o trabalho segue a movimentação natural e anatômica.  

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 Quando você faz a modelagem poligonal de um rosto, se preocupa em fazer os loops, o sentido da musculatura do rosto.  Ao animar os movimento da imagem são realizados em outros sentidos, para que o movimento seja muito mais natural. Nesse caso, a reprodução da musculatura humana. 

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Veja que os sentidos não estão somente em posições horizontais e verticais. 

Esse é o exemplo de um rosto, em que é preciso inserir poucos cortes, em um personagem realista, por exemplo, você precisa inserir mais cortes.  b2ap3_thumbnail_Referencia-3D_face_loops.jpg

Espaço no mercado brasileiro

O mercado de 3D brasileiro é movido muito mais pela publicidade do que as outras áreas como seriados, filmes e games. Já lá fora, no mercado internacional, a maior movimentação em negócios é na área de games, seriados e filmes, por último publicidade. É o inverso. 

No Brasil as produtoras pequenas estão contratando profissionais de 3D que saibam um pouco de todas as áreas, pois acreditam que é mais vantajoso.  Ao meu ver, isso trás menos qualidade de trabalho, sem que ele seja especialista em uma única área. Ou o artista sabe um pouco de tudo ou se especializa em uma só área, seguindo o exemplo da área de medicina.

A tendência no país é que haja cada vez mais especialistas, sa exemplo do mercado internacional, para que haja o objetivo maior em qualidade. Isso já ocorre em grandes produtoras nacionais.  

Com relação aos artistas brasileiros,  seus trabalhos vem ganhando destaque lá fora. Todos eles começaram com modelagem poligonal. 

Para quem quer se apresentar em produtoras, o profissional tem que mostrar em seu portfólio que seus modelos servem para todas as ideias que o diretor possa pensar, não só para imagens estáticas, mas também para animações desses modelos. Nesta situação, aconselho o artista mostrar o modelo em algumas poses e mostrar o wireframe.  b2ap3_thumbnail_Wireframe.jpg A publicidade  brasileira está usando usa cada vez mais o 3D,  mesmo que não seja em inserções de personagens e objetos animados, como computadores e etc. 

O 3D dá liberdade aos roteiristas criarem em seus textos a fantasia ou com uma mescla de realidade. 

Por aqui, o crescimento da utilização do 3D em publicidades para televisão foi a partir da propaganda da Brahma, em que aparecia um caranguejo, comercial criado pela agência F/Nazca e veiculado em 2000.

Foi aí que houve o "boom" e todo mundo viu que era viável o uso de animações. 

Outra área que está crescendo no Brasil é a parte de games para celular e para o Facebook.

Para games a modelagem poligonal é uma etapa extremamente importante, o profissional tem que saber transformar o low poly, por exemplo, que é uma parte de construção de games para essa área específica. 

A minha dica para quem quer estudar a área de 3D, o primeiro passo seria aprender modelagem poligonal com os softwares acima citados. Mas que, de preferência, foque na parte conceitual, de forma que você entenda o funcionamento desse tipo de modelagem sem estar preso a um software específico.

Na minha opinião, o Softimage é muito bom na parte de modelagem orgânica, que é modelar pessoas, o 3ds Max é bom na parte inorgânica e acabamentos. Já o Maya é mais complexo, precisa dar mais voltas para se chegar no mesmo fim. 

Isso tudo é minha opinião, outros profissionais preferem outros softwares. Na teoria, o melhor software é o que você se adapta mais rápido, se adapta melhor. Vale lembrar que não adianta você focar em um software apenas, pois muitas vezes, quem vai decidir qual software você vai trabalhar é a empresa. Por isso é mais importante aprender a parte conceitual do que o software, assim você pode migrar para os outros programas sem dificuldade■

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Pedro Aleixo fala sobre mercado 3d e carreira

Pedro Aleixo fala sobre mercado 3d e carreira
entrevista-pedro-aleixo-maquete.png Conversamos essa semana com o arquiteto Pedro Aleixo, que também é professor da N-PIX e ministra o Coliseu – curso online de maquete eletrônica. Ele possui uma vasta experiência diferentes áreas da arquitetura e do design e já realizou trabalhos em áreas comerciais, como na indústria imobiliária e escritórios de arquitetura. O Pedro já produziu imagens para grandes construtoras como Gafisa, Odebrecht, Brookfield e escritório de arquitetura como MCAA, Miguel Juliano, Botti e Rubin. Com aproximadamente dez anos de carreira, o arquiteto nos contou como aplica sua personalidade artística em seus trabalhos na área, produzindo material de visualização para construtoras, escritórios e visualização de produtos publicitários. Ao longo da entrevista, confira também as imagens produzidas pelo arquiteto. **Pedro, poderia nos contar sobre sua experiência?** Desde pequeno sempre me interessei por arte. Com 11 anos, mais ou menos, comecei a fazer cursos de desenho. Sempre tive muito interesse por isso, na hora de escolher pelo curso na faculdade optei por essa área, ou desenho industrial ou arquitetura. Duas faculdades voltadas pela parte artística e de construir coisas. **Como surgiu seu interesse pela ilustração?** Sempre desenhei, desde criança, uns desenvolvem mais outros menos. Comecei a estudar, fazer cursos e tentar melhorar. Foi mais coisa de criança. b2ap3_thumbnail_banheiro-prottipo.jpg **Como você enxerga a área de ilustração no Brasil?** No País a ilustração começou a ser explorada pouco tempo antes do anos 2000. O filme Toy Story foi lançado aproximadamente nessa época e a partir disso que o mercado começou a desenvolver tecnologias. Porém, toda área que a gente trabalha com arte gráfica, ilustração 3d ou computação gráfica, é relativamente complicado aqui no Brasil, por serem mercados novos. De qualquer forma, é um mercado promissor. Hoje em dia a gente não faz mais nada sem 3d. Um produto novo não será lançado ser ter sido feito com ilustração 3d. Atualmente, um lançamento de imóvel não é vendido sem ter as imagens, por quê o consumidor não tem know-how para entender e assimilar um desenho técnico. Hoje na área de vendas isso é fundamental e ninguém mais vende se não tiver uma ilustração bem feita. Tanto na área de produto no mercado imobiliário, principalmente, não se vê mais nenhum estande sem imagem. Se for um mercado bem cuidado, é bem promissor. Trabalho não faltará nunca. b2ap3_thumbnail_Boing.jpg **Como você percebe a utilização dos recursos 3d neste mercado, que tem sido usada cada vez mais pelos profissionais?** É indispensável, existem coisas que a gente não vende ser ter o 3d, o produto imobiliário é um deles. Mesmo que seja só a fachada do prédio, algumas perspectivas internas, o cliente não vai comprar sem ver antes como o empreendimento ficará. Na parte de produto elimina aquela coisa do Mokup digital, do fotógrafo. Ter que ter um produto físico, hoje é fundamental e já faz parte de todo o processo. b2ap3_thumbnail_piscina-sem-logo.jpg **Como um profissional representativo brasileiro, como foi produzir para importantes empresas brasileiras?** Para mim é natural, por ter contato com arquitetura o objetivo é fazer trabalhos onde a gente tenha um produto melhor. É o que todo mundo quer e é o rumo natural das coisas. Uma hora alguém vai fazer imagem para essas construtoras e escritórios, a questão é mais quem consegue atender em quantidade e qualidade. Não sei se posso dizer, mas é uma seleção natural. Para ser ter uma margem de lucro razoável, ter um trabalho legal a gente precisa buscar esse tipo de cliente. Muitos escritórios já tem o artista 3d, ele não precisa mais comprar esse tipo de serviço, na verdade, contratar esse tipo de serviço, por quê existem alguns programas como Sketch Up e Revit que já fazem parte do processo de criação de uma empresa. b2ap3_thumbnail_CGMonkey.Interna.Escadas.jpg **Quais são suas principais referências de artistas e trabalhos?** Todo mundo que faz maquete tenta usar como referência o Alex Roman, um artista excepcional, que tem o trabalho que todo mundo conhece. Existem também algumas empresas que eu admiro, como a Pure Render, mir Visuals e a Neoscape. Essas são as empresas que eu tenho como norte. **Como surgiu sua experiência em lecionar na área?** É o primeiro curso, antes eu tinha dado aula da Alpha Channel, um centro de computação gráfica, em São Paulo. Foi meio que sem querer, a experiência começou quando um amigo precisava de alguém para substituí-lo e ensinar sobre o V-ray. E como eu mexo desde a primeira versão do programa, aceitei. Sempre gostei muito dessa parte de ensino e pesquisa, por curiosidade acabei aceitando e gostei. Isso foi no final de 2012 e depois em conversas com a N-PIX acabamos montando esse Curso de Maquete. b2ap3_thumbnail_RV_MD_espao-teen_R03.jpg **Você é professor da N-PIX, quais são as dúvidas mais frequentes dos alunos?** Os alunos tem dúvidas em relação ao medo do software, de achar complicado. E muitas sobre o mercado, se eles vão conseguir se manter, se vão conseguir pagar as contas. Os alunos também perguntam sobre valores, o quanto que eles devem cobrar por um trabalho, essa é a maior dúvida que quem está entrando agora no mercado tem, em como montar um portfólio etc. O que é bom, o que é ruim, em relação ao trabalho em si, são dúvidas naturais do desenvolvimento. **Você poderia dar alguma dica para esse profissional que está começando agora?** Em relação ao trabalho, acredito muito no esforço pessoal. É estudar, não só acreditar em tutoriais de internet ou o que os outros dizem, cada um tem sua experiência. Se você corre atrás e estuda, por mais famoso você não seja, todo mundo consegue um espaço no mercado. Não se acomodar, sempre estudar outras coisas. Eu não estudo só 3d, acho que para melhorar a gente tem que voltar um pouco atrás, estudar desenho e fotografia é muito importante. Para quem quer trabalhar com iluminação e textura é fundamental. Procure sempre se desenvolver e a colocação no mercado é um reflexo disso, do seu esforço e do trabalho que desenvolve. b2ap3_thumbnail_RV_MD_brinquedoteca_R03.jpg **Observa-se que você possui uma característica em suas obras, com tons de realismo, em que aplica bastante personalidade em seus trabalhos. Para alguém que quer começar na ilustração, quais dicas você pode dar?** Basicamente o que eu faço muita gente faz, mas é a questão do cuidado com a imagem, tentar ter uma linguagem um pouco mais artística e não aquela coisa rígida de quem acabou de aprender a mexer com 3d. Então é tentar fazer uma câmera um pouco melhor, dar uma cara mais ilustrativa. É ter cuidado, um carinho que eu tenho com o trabalho e não exatamente uma característica da imagem. Principalmente na parte de maquete eletrônica, o trabalho tem que ser funcional, se ele atende o cliente eu estou feliz. A gente tem que tirar um pouco a coisa do juízo de valor, do eu gosto ou eu não gosto, é preciso se preocupar em atender o mercado. **Você poderia dizer se hoje há no mercado a busca por qualidade de imagem, por qualidade de realismo? O quanto ele prefere uma imagem mais técnica ou uma imagem mais atrativa aos olhos?** Na verdade é o que vende melhor. A gente tem várias vertentes, tem empreendimentos mais baixos em que não estão tão interessados em qualidade, querem simplesmente atender uma demanda de público. Em que a imagem não é um fator decisivo na compra. Existem os de alto padrão, que buscam uma qualidade mais elevada no trabalho, muitas vezes até optando por um desenho feito à mão, mais artístico. Tem algumas construtoras que buscam isso, que valorizam o produto. **Como é a demanda por trabalhos que não sejam imagens estáticas, que sejam animações?** Vem crescendo, principalmente em empreendimentos de maior porte, porém animação não é uma coisa barata. Empreendimentos maiores tem uma demanda maior de vídeo. Atualmente o foco principal é vídeo, em alguns escritórios não se vende uma imagem sem estar atrelada ao vídeo. **Você poderia falar sobre o momento do indústria imobiliária e o quanto isso influencia nos trabalhos? Há diferença de demanda entre as capitas e as outras cidade?** O mercado estava aquecido nas capitais, porém tem crescido em cidades do interior, como Limeira, Campinas, Ribeirão Preto. Em capitais como São Paulo e Rio de Janeiro diminuiu um pouco. O que de certa forma é até bom para o mercado 3d, por quê só fica realmente quem tem um nível alto. Melhora a qualidade do mercado mas tem menos trabalho. Sempre oscila, por quê o mercado imobiliário tem mais coisas que interferem, como economia e política. **Todos os trabalhos são para empreendimentos imobiliários que estão sendo construídos ou para projetos de reformas de local ou de decoração e empresas?** Antes tinha mais, lá para 2006 tinha bastante demanda. Com os programas Sketch Up e Revit, as empresas estão substituindo o AutoCad. Isso já tira um recurso 3d do projeto. Muitas vezes o próprio colaborador do escritório de arquitetura já produz. A demanda está diminuindo. Os trabalhos melhores, com o nível de exigência maior e que envolva animação, ainda estão centrados no empreendimentos de grande construtoras. **Há dez anos o processo de aprendizagem de recursos e ferramentas para artes digitais era escasso, você citou sobre tutoriais em internet, como você adquiriu seu conhecimento na área?** Eu citei que não se deve usar tutoriais na internet, pelo nível de acesso as tecnologias hoje em dia. Pela internet ser um meio difusor de informação fácil, a gente sabe que existem pessoas bem intencionadas, que tem boa vontade mas que não tem um bom grau de conhecimento para isso. Muitas vezes, as pessoas não sabem filtrar a informação. É preciso tomar cuidado nesse sentido. No meu caso, vejo que poderia ter tido muito mais foco se tivesse o direcionamento de alguém, mostrando o certo e o errado. É necessário criar uma base sólida de seu conhecimento. **O tutorial, as vezes, pode ajudar a resolver um problema de curto prazo, mais não vai ensinar como as coisas funcionam e o profissional não vai construir uma carreira com isso, certo?** O mercado e as ferramentas são muito mais amplos. O estudo, a formação e o olhar são reflexos do olhar que a pessoa tem. Pedro, obrigada pela entrevista e a N-PIX quer te parabenizar pelo belo trabalho desenvolvido. **Pedro, obrigada pela entrevista e a N-PIX quer te parabenizar pelo belo trabalho desenvolvido.**
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